Analog Good Visions presents: Jade Luzardo

7 DE JULHO DE 2026
A cidade e seus movimentos tem a capacidade de mudar uma pessoa. Através da fotografia, Jade Luzardo desenvolveu um olhar único, andando pelas ruas e observando as luzes, sombras, texturas e movimentos das pessoas. Nessa edição do nosso Journal, a fotógrafa nos conta detalhes da sua trajetória nos últimos 15 anos.
Aos 15 anos assisti ao filme Medianeras, onde o personagem principal, Martin, após consultas com seu psicólogo, descobriu que fotografar a cidade podia ajudar e incentivar ele a sair de casa e se sentir parte da cidade de uma forma menos dolorosa.
Eu sempre volto nesse filme para relembrar o por que comecei a fotografar. Da mesma forma que Martin se via trancado em casa, eu também era uma adolescente um tanto antissocial e negativa. E graças à fotografia eu redescobri a cidade e as pessoas.
Andava sem medo pela rua com a câmera pendurada no pescoço (isso em 2011 não era tão perigoso quanto hoje, ou eu apenas era inconsequente), e logo fiz amigos online em grupos de fotografia que se tornaram presenciais, e tive companhia para os tão animados passeios fotográficos. Tudo era interessante e nos chamava a atenção, desde a tartaruga da Praça Tamandaré até o pescador no cais do porto.
E assim como a maioria dos iniciantes na fotografia, eu procurava os objetos do cotidiano para tentar ressignificar sua beleza, contrastando textura de prédios com o verde das arvores, descobria a simetria das ruas mais estreitas do centro da cidade. Admirava o sol por detrás das folhas na minha câmera Fuji Superzoom S2800 que ganhei de presente dos meus pais.
E minha vó, que logo me presenteou com a canon T3i, e que por isso eu sou eternamente grata, pois foi ali que comecei a ter uma experiência fotográfica mais completa, passando por milhares de programas de edição até chegar no Lightroom, que hoje em dia virou memória muscular de tanto tempo que passei testando cada função e cada curva.
Nunca fui de criar um conceito do zero, sempre preferi fotografar o que já existia, mas de uma perspectiva diferente, e surpreender as pessoas mostrando um ponto de vista novo de um lugar. E mais pra frente, um ponto de vista diferente sobre as pessoas que eu fotografava.
A fotografia virou profissão que muito me orgulha e me preenche. Da mesma forma que ela me levou a conhecer lugares novos, hoje em dia eu tenho a honra de conhecer e conversar com todo o tipo de pessoa, retratar interações familiares preciosas, produções artísticas, tudo de mais bonito e importante na vida de alguém.
Analog Journal Artists - Jade Luzardo
Filme dirigido por @lucaskhaleq