"Uma viagem por referências analógicas" por Darlís Santos
8 DE MAIO DE 2026
Fotos por @joao.oliveiraph
Minha trajetória com o analógico começa desde a infância, seja nas fotografias feitas pelos meus pais, nos trabalhos da escola onde tudo era muito manual, até no modo de me vestir, muitas vezes com roupas feitas pelas minhas tias e minha mãe.
Por isso, sempre me soa um pouco estranho ver o analógico “virar tendência”. Pra mim, isso foi e ainda é a minha vida inteira.
Com o tempo fui percebendo que levei essa característica pra forma como me expresso e crio. As colagens, os rabiscos -que gosto de chamar de desenhos feios-, a vontade de trazer texturas urbanas pra dentro do que faço. Tudo isso acabou se tornando uma espécie de assinatura.
Tem algo que sempre faço questão de carregar comigo: a importância de rasgar, quebrar, rabiscar. Nada substitui a experiência da vida real. Mesmo quando ela é dura e crua, ela ainda me parece mais interessante do que a vida que a gente monta no digital. Fazer algo com as próprias mãos tem esse poder, de levar junto não só uma parte da nossa identidade, mas também nosso sentimento.
Acho que buscar referências na vida real vem muito disso. De encontrar no ordinário, o que sentimos nesse comum, coisas que têm o potencial de inspirar completamente. Uma textura em uma parede, um som específico, a forma como a luz encosta no chão. Tudo isso me inspira muito mais do que abrir dez abas no Pinterest - e olha que eu gosto MUITO disso.
Penso muito que o analógico tem algo que a internet não tem: o inesperado. Você não tem controle sobre o que vai encontrar. É diferente de sair pelo centro da cidade e dar de cara com coisas tão distintas que um algoritmo provavelmente nunca te mostraria. A criatividade, pelo menos pra mim, depende muito disso, do que é estranho, do que não faz sentido imediato.
Muitas dessas coisas eu provavelmente não salvaria numa pasta. Mas ao vivo elas funcionam de outro jeito. Talvez não se transforme em nada no momento, mas vão alimentando uma bagagem.